sexta-feira, junho 23, 2006

Sessão 6: SF and global power

Uma primeira visita à banca de livros fez-me chegar atrasado a este painel. Já estava quase no final o Jason W. Ellis, um estudante de doutoramento da GeorgiaTech, com «Networks of science, technology and science fiction during the American Cold War». O que foi pena: o tema interessava-me, e até tinha pontos de contacto com a minha tese.
E depois...
David Mead, «Jack Vance and the Cold War»: ouvia-se um pouco mal; a voz dele não ajudava, eu eu praticamente não conheço os contos de SF do Jack Vance (como o tipo dizia no início, o Vance é essencialmente conhecido pelos contos da «Dying Earth», e aqui não eram esses que estavam em causa)
E o prato do dia, Marleen Barr, «Politics collides with science fiction or George Bush and the Borg»: não era propriamente uma habitual conferência académica, e sim quase uma espécie de «sit down comedy». Muito divertida, com Condoleezza Rice a transformar-se no cyborg-clone fálico de G. B., respondendo pelo nome de E2Z2 (vejam lá porquê!), e envergando um fato de dominatrix à Trinity e high heeled stilletos (apesar de no interior, repito, ser um clone fálico do G. B). A crítica a esta abordagem por parte dos académicos mais puros -- no caso o Mack Hassler -- era inevitável. Uma espécie de Velho do Restelo ao contrário, a demonstrar esperança na malta nova e desconfiança pelas «deserções» dos consagrados. Sabiam que há 4 anos a média de idades de participantes da SFRA estava perigosamente a entrar na «menopausa», e que nada disso se vê agora, apesar de velhinhos como o John J. Pierce?
Pela minha parte, confesso que não sei por que lado me decidir: a Mar-lin Borr goza de um estatuto privilegiado na comunidade dos SF studies (mas não sem muitas vozes críticas), e a atitude demasiado altiva de vedeta não ajudaram (nem -- suspeito -- o botox, mas o sotaque cerrado de Queens tem piada). Agora que ganhou esse estatuto, em parte por ter ganho o prémio Pilgrim (but more of that later), parece ter mandado às favas algumas formalidades (leia-se rigor académico), optando por um estilo que me recorda uma conferência, aqui há uns 9 anos, da Sandy Stone em Lisboa. Voltou-se para a ficção, com Oy, Pioneer! (but more of that later) e isso contaminou o ensaio. E no entanto, tudo naquele discurso batia certo: a «Condi E2Z2» é mesmo um clone do G. B., e a condição de mulher e de negra é só um disfarce, apesar de, ao contrário da Hilary (fat thighs!), lhe ficarem bem os stilletos, e até mesmo o ar de dominatrix serve para esconder que é um cyborg passivo, etc. etc.

Ao mesmo tempo, noutras salas, um painel sobre «Race and gender equity», outro sobre «SF and the introduction to literature course», e uma sessão «Meet the authors» (Garcia y Robertson, William Sleator e Bruce Taylor)

Sem comentários: