Era difícil a escolha. Por sorte as sessões estavam a decorrer em salas adjacentes. E assim comecei pelo «Apocalypse!», assistindo a
JJ Sargent, «Apocalyptic vision, the mythos of the rocket, and the failure of the individual in thomas Pynchon's alternate history, Gravity's Rainbow»: O JJ Sargent é uma figura. Não só pelo físico de Eduardo Prado Coelho como pelo facto de ser um «water connoisseur» (a melhor água mineral que bebeu é de Fiji, e custa módicos 30 dólares a garrafa) e também por ter paginado o programa e escolhido os filmes para o Late-Night Film-a-thon (já lá iremos). A comunicação foi bastante interessante, explorando a ideia do rocket como ícone apiocalíptico na conhecida novela do Pynchon, e da ligação deste a uma ideia «cheap nihilist» de apocalipse, i. e., como progressão natural para uma maior estado de entropia. E a propósito das ligações ao contexto social em que foi escrita a novela, mas também o actual, «The madness continues», concluía a apresentação.
A seguir vinha a Grace Dillon, com uma comunicação sobre o Mindscape, da Andrea Hairston, mas escapuli-me discretamente para a sessão ao lado. Perdi -- na verdade não se perdeu nada, como veremos -- «The language of genre: Science fiction and manistream ideology», de William Lomax, mas assisti a:
Steven D. Berman, «Colliding genres: compromised art or hybrid?»: deve falar-se de hybrid genres ou de inbreeding? Alguns exemplos de que não há géneros puros: Lois Bujold (SF + F), Lovecraft (SF + horror), etc.
Ritch Calvin, «Crossing the Rubicon: Relevance and science fiction in a post-genre age»: Mais uma comunicação sobre a luta entre SF e fantasy. Há uns anos o Barry Malzberg disse, a propósito da ascensão da fantasy sobre a SF, que se o papel da SF era habituar-nos à tecnologia, essa missão está cumprida, dando lugar à fantasy. O Ritch Calvin argumentou de forma oposta: quanto mais os géneros se misturam, mais cada um deles pode evidenciar-se; o domínio da SF sobre a fantasy (bem como o inverso) seria por isso apenas temporário.
No período de debate, o William Lomax tomou as rédeas. (Era de prever: quando eu cheguei, e apesar de já não ter assistido à sua comunicação, entregaram-me um esqueleto da argumentação, que ele fez questão de distribuir por todos os presentes.) Levantou-se (quando todos os outros permaneceram sentados), sugeriu que afinal, apesar das diferenças de superfície, as outras comunicações iam ao encontro da dele, etc. Estão a ver o género, não estão? Mas há mais, como eu descobriria no dia seguinte...
Ainda numa outra sala, mais uma sessão de «Meet the authors», com Nancy Kress, Nalo Hopkinson e o guest of honor Norman Spinrad.
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